PAULO FONTENELLE DE ARAUJO

 -  - PAULO FONTENELLE
Total Visualizações: 9909
Texto mais lido:
A CIDADE POSSÍVEL - Total: 125
Educares são nossos pontos, nossa pontuação! Educares: 1292
10 Autores mais recentes...
JOSÉ ROBERTO DA SILVA
VALDINEI DA SILVA CAMPOS
MILTON JORGE DA SILVA
CELSO GABRIEL DE TOLEDO E SILVA
MARIA DE SOUZA CEZAR
EVERALDO JOSÉ CAVALHEIRO PAVÃO
JOSE JOÃO BOSCO PEREIRA
RUAN VIEIRA
FERNANDO DANIEL FRANCO DE CAMARGO
ELIAS OLIVEIRA DE JESUS
10 Autores mais lidos...
613 SEDNAN MOURA
SEDNAN MOURA
Total: 1490360
285 ALEXANDRE BRUSSOLO
ALEXANDRE BRUSSOLO
Total: 251664
190 DIRCEU DETROZ
DIRCEU DETROZ
Total: 125724
272 PEDRO VONO
PEDRO VONO
Total: 112313
1121 THALYA SANTOS
THALYA SANTOS
Total: 91546
622 EVANDRO JORGE DO ESPIRITO SANTO
EVANDRO JORGE DO ESPIRITO SANTO
Total: 55716
218 ZILDO GALLO
ZILDO GALLO
Total: 33855
496 ALBERTO DOS ANJOS COSTA
ALBERTO DOS ANJOS COSTA
Total: 31674
189 LADISLAU FLORIANO
LADISLAU FLORIANO
Total: 30584
385 ANDRADE JORGE
ANDRADE JORGE
Total: 26111
Sala de Leitura
Busca Geral:
Nome/login (Autor)
Título
Texto TituloTexto



Total de visualização: 28
Textos & Poesias
Imprimir

Total Votos: 0
DICA: Utilize o botão COMPARTILHAR (do facebook em azul) ou o LINK CURTO que disponibilizamos logo abaixo desse botão para compartilhar seu TALENTO nas Redes Sociais, compartilhando com mais fãs e leitores de toda parte do Mundo Virtual. Esse recurso foi desenvolvido para ajudar na divulgação de seus textos. USE SEMPRE QUE DESEJAR!
  Anote esse link curto de seu texto e divulgue nas redes sociais.

AMOR ATO DEZESSETE


*** Faça o seu Login e envie esse texto por email ***

Só a poesia esgota este momento,
jura de amor pela quantidade de sangue,
lesão exata do teu corpo, víbora tatuada,
que noto sendo a dor o meu salvamento.

Não devo chorar pois cheguei até aqui.
Brindo teu corpo no toque de minhas mãos,
onde teu fim é minha certeza de permanência,
pois não perdi a seara das estrelas de ti.

Os mortos vencem os vivos
por causa dos filhos não gerados,
dos dias que serão sempre nossos cativos.

Temos a família junto ao súbito despertar,
há uma infância para todos nós,
todos seguem a queda dos dominós.


Marília ainda era estagiária em enfermagem quando um rapaz esfaqueado e inconsciente entrou na emergência do Hospital Santa Luzia em Fortaleza. O médico examinou a vítima, o corte fora aberto na altura do estômago; tomou alguns cuidados e pediu à Marília as seguintes providências: colocar a luva cirúrgica e introduzir lentamente a sua mão direita dentro do ferimento do rapaz. Marília, julgando iniciar algum tratamento, obedeceu ao homem, introduziu lentamente a sua mão no estômago da vítima, mas quando estava no meio do caminho, dentro do corte, ela sentiu, devagar, as últimas batidas do coração do paciente. Marília puxou a mão e gritou. Soltou um grito enorme e ouviu a risada do médico titular, por coincidência também o seu professor na Faculdade de Enfermagem.
O mestre ordenara a providência da introdução da mão no abdômen do rapaz esfaqueado, não como uma tentativa de salvação do paciente, já condenado, mas para Marília sair do estágio, tornar-se uma profissional enfermeira que conhece e sabe relativizar a hora da morte. Enfermeiras devem adquirir a noção do efêmero.
Marília também começou a chorar. Chorou muito, junto com os familiares do rapaz, que morreu logo depois. Marília chorou porque percebeu também: sua mão dentro dos restos mortais não tinha sido apenas uma aula prática. Marília se sentiu unida ao corpo do jovem e tudo - o ferimento, a luva cirúrgica, o coração do paciente, o coração de Marília - pareceu uma fileira de dominós em queda, retida ali entre seus dedos.
Marília lembrou deste fato como a ocorrência mais marcante de uma carreira de cinquenta anos. Tão marcante para confessar a sua única irmã:
- Eu nunca me casei, mas algo em mim continua tão ligado ao tal homem quanto naquele dia.
Grandes são as coincidências neste mundo. Sábado, dia 23, Marília faleceu por causa de uma úlcera.
Marília tinha setenta anos. Deixa uma irmã, também enfermeira e um sobrinho.
Apenas a irmã entendeu o pretexto amoroso da úlcera de Marília.

DO LIVRO: AMOR POR FORÇA DE UMA LEMBRANÇA

 
   
Comente o texto do autor. Para isso, faça seu login. Mais textos de PAULO FONTENELLE DE ARAUJO:
20 DE JANEIRO DE 1983 Autor(a):
A ALMA SURDA Autor(a):
A BELEZA, QUARTA DIMENSÃO Autor(a):
A CIDADE POSSÍVEL Autor(a):
A DESCONSTRUÇÃO Autor(a):
A FORMIGA ALHEIA Autor(a):
A INVENÇÃO DO FUTEBOL Autor(a):
A LISTA Autor(a):
A MÁQUINA DO TEMPO Autor(a):
A MULHER DO LOUCO Autor(a):
A MÚMIA Autor(a):
A PRIMAVERA DAS FADAS Autor(a):
A SONDA AMERICANA VOYAGER I Autor(a):
A TEVÊ LIGADA Autor(a):
ALGUMAS PRINCESAS Autor(a):
ALMA SURDA Autor(a):
AMOR AOS DOZE ANOS Autor(a):
AMOR ATO CINCO Autor(a):
AMOR ATO DEZ Autor(a):
AMOR ATO DEZESSEIS Autor(a):
AMOR ATO DEZESSETE Autor(a):
AMOR ATO OITO Autor(a):
AMOR ATO ONZE Autor(a):
AMOR ATO SEIS Autor(a):
AMOR ATO TRÊS Autor(a):
AMOR ATO UM Autor(a):
AMOR VULGAR Autor(a):
ANDANDO PELO CALÇADÃO Autor(a):
ANÚNCIOS BRANCOS Autor(a):
AQUI SE MORRE DE CÂNCER Autor(a):