PAULO FONTENELLE DE ARAUJO

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O ÁLBUM


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Acordo
e prontamente lembro
os mesmos mortos.
Refaço o álbum pela manhã
e todos estão presentes;
os mesmos rostos
distorcem a minha mente.
Não sei o porquê dessa coleção,
da minha guarda impecável.
Vêm de longe
meu pai, minha mãe em fotos sumidas
(Um flash dentro de mim separa o instante,
pergunta por esses pais
e porque permanecem unidos)
Mas há outras pessoas nessa pasta de imagens,
repetem uma cena remota,
um aceno, enquanto eu confio
que tudo se ajusta.
Os amigos, o amigo louco
a namorada santa
e quando me perco, lembro da outra,
jurava ser santa,
e abria os peitos formosos
para o encaixe fotográfico.
Dentro de mim tudo é permanência.
Durmo.
Agora são os mortos
que caem de forma contínua,
descem como chuva,
surgem perto de morros e cachoeiras
não percebem a própria eternidade.
Acordo
refaço o longo álbum
todos os mortos estão ali,
do outro lado,
eles me olham,
piscam,
pisam na faixa de pedestres,
sempre aos pedaços
como pedestres.
Os olhares procuram um sentido,
estão nas beiradas
nos cantos,
parecem aliviados.
Nascidos para brilhar.
Lindos!

DO LIVRO: ADVERSOS E OUTROS MOMENTOS

 
   
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