PAULO FONTENELLE DE ARAUJO

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DRUMMOND ACOPLADO


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A estátua do poeta saiu torta,
viraram seu corpo para a avenida,
sentado de costas para o mar.
Por isto, a estátua é neurótica
não gosta que cheguem por trás,
principalmente mulheres,
que roçam nas suas costas de poeta,
biquínis amarelos em formato de peitos.
Assim o poeta imagina as presenças e as cores.
Todas empacam para uma foto e riem.
Para sorrir a pedra levaria muito tempo.

O poeta não quer mais agradar,
prefere agora esperar a madrugada chuvosa.
A chuva e a noite ,
vindo das altas luminárias de Copacabana,
garantem com precisão
algo eterno para um olhar poético:
o ponto exato de luz sobre o asfalto,
uma combinação de órbitas,
a estrela que pisca.

E vem do brilho noturno
variações de humor do poeta:
uma sanidade de pedra,
e sorrisos às vezes prosaicos
até da velocidade dos autos:
quando motoristas passam disparados
bêbados
e gritam:
- Viva o Rio de Janeiro!


Do livro: A CIDADE POSSÍVEL

 
   
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