MARIA DO SOCORRO DOMINGOS

1658 -
Total Visualizações: 748
Texto mais lido:
MODINHA - Total: 142
Educares são nossos pontos, nossa pontuação! Educares: 183
10 Autores mais recentes...
DALILA DO NASCIMENTO DOS SANTOS
CLEITON CARVALHO DE JESUS GONSALVES
LUIZA NASCIMENTO ABREU
MARCO PAULO VALERIANO DE BRITO
ALHOSAL
JUAN CARLOS
DARLAN BEZERRA PILAR
JOSÉ ROBERTO DA SILVA
VALDINEI DA SILVA CAMPOS
JOSÉ MARIA AMARANTO
10 Autores mais lidos...
613 SEDNAN MOURA
SEDNAN MOURA
Total: 1810250
285 ALEXANDRE BRUSSOLO
ALEXANDRE BRUSSOLO
Total: 275426
190 DIRCEU DETROZ
DIRCEU DETROZ
Total: 155064
272 PEDRO VONO
PEDRO VONO
Total: 114467
1121 THALYA SANTOS
THALYA SANTOS
Total: 100228
622 EVANDRO JORGE DO ESPIRITO SANTO
EVANDRO JORGE DO ESPIRITO SANTO
Total: 72624
657 ELIO MOREIRA
ELIO MOREIRA
Total: 40540
218 ZILDO GALLO
ZILDO GALLO
Total: 39077
496 ALBERTO DOS ANJOS COSTA
ALBERTO DOS ANJOS COSTA
Total: 35429
189 LADISLAU FLORIANO
LADISLAU FLORIANO
Total: 35150
Sala de Leitura
Busca Geral:
Nome/login (Autor)
Título
Texto TituloTexto



Total de visualização: 117
Textos & Poesias
Imprimir

Total Votos: 0
DICA: Utilize o botão COMPARTILHAR (do facebook em azul) ou o LINK CURTO que disponibilizamos logo abaixo desse botão para compartilhar seu TALENTO nas Redes Sociais, compartilhando com mais fãs e leitores de toda parte do Mundo Virtual. Esse recurso foi desenvolvido para ajudar na divulgação de seus textos. USE SEMPRE QUE DESEJAR!
  Anote esse link curto de seu texto e divulgue nas redes sociais.

(O TRIGO (inspirado no apólogo - de mesmo título - De Coelho Neto)


*** Faça o seu Login e envie esse texto por email ***

Adão, o primeiro homem,
Totalmente extasiado
Olhava, maravilhado,
Os feitos do Criador:

Rios profundos e claros,
Os montes e as campinas
Fontes puras, cristalinas,
Exuberância e cor!

Animais de toda espécie
Cruzavam-se pelos caminhos,
Leões, corças e ratinhos,
Tudo em total harmonia.

Elefantes e gazelas,
Os cavalos relinchando
A passarada cantando,
Em perfeita sintonia.

Frutos caindo dos galhos,
Flores esparzindo odores
Borboletas de várias cores,
Revoadas na floresta.

Formigas, grilos, abelhas
A procura de alimento,
Cigarras buscando alento
Cantando... Fazendo festa.

O sol ardente e tão belo,
Como um puro diamante
E a terra exuberante,
As águas que com leveza

Desciam bem preguiçosas,
Formando belas cascatas,
Revigorando as matas,
Com fresquidão e beleza.

Deus - de longe - espiava
O homem que havia feito,
Achava-o forte e perfeito,
Capaz de ser o senhor

Ter o domínio da terra
Com as suas criaturas,
E desfazer as agruras,
Prosperar com o labor.

E caminhava lentamente,
Por veredas silenciosas
Tornavam-se luminosas,
As pedras que Ele tocava.

Pois elas se transformavam,
Em belíssimos diamantes
Com rebrilhos faiscantes,
Um brilho que ofuscava.

Do córrego do qual tirou,
O barro e moldou Adão
Vinha um imenso clarão,
Em um tom belo, dourado.

E o seu leito virou ouro,
De inigualável pureza
Tamanha era a grandeza,
De quem o havia tocado.

Chegou enfim, o momento,
De Deus tirar um descanso
Procurou por um remanso,
Não demorou a encontrar.

Um trigal que se ondulava
E se ofereceu prontamente,
Dando abrigo ao Onipotente
Que pôde então repousar.

Os pássaros anunciavam,
O crepúsculo matutino
Quando o Criador Divino
De Seu sono despertou.

Então, uma voz suave,
Sussurrando mansamente
Saudou-o e, humildemente,
Dessa forma lhe falou:

- Senhor, que não vos pareça
Que é uma reclamação
Mas, de vossa criação,
Sinto-me insignificante.

As árvores são tão altivas,
Com realce e formosura
E esbanjam em fartura,
E porte impressionante.

E, além de tanta beleza,
São frondosas e têm cor,
Folha, galho, fruto e flor
Tornando-as tão graciosas.

Eu, mísero trigo pequenino,
Acho que fui esquecido,
Fiquei feio e enfraquecido,
Infeliz entre as ditosas.

Deus – quieto - a escutar
Tamanha lamentação,
Estendeu a Santa mão
E então o abençoou.

E com toda a firmeza
E a força de seu poder,
Ele se pôs a dizer:
- Eis a graça que te dou:

Mesmo sem teres beleza
E com tanta fragilidade,
Asseguro que, na verdade,
Tão bem me agasalhaste.

Em teu generoso abrigo,
Velaste pelo meu sono
Não fiquei em abandono,
E do sol me resguardaste.

Fraco, darás alimento
Do maior ao pequenino,
Encarnarás o Divino,
Serás hóstia... Serás pão!

Pequeno, serás gigante,
Guardarás em ti nobreza
E a mais alta realeza,
Beijará a tua mão!

Tuas flores se tornarão
Em espigas... Em farinha,
No Sacrário – a essência minha,
Força para as criaturas.

Tu que eras pequenino,
Doravante és grandioso
Estou feliz e orgulhoso,
Posso voltar às alturas!
........................................

E, ouvindo o trinar de pássaros,
E ao som do canto de anjos
Que tocavam flautas e banjos,
Ele voltou para os Céus!

Tornou-se o trigo alimento,
De todos, o mais usado
E quando pão - consagrado
Corpo do Filho de Deus!


Este cordel é uma homenagem a Henrique Maximiniano Coelho Neto (Caxias/1864 - Rio de Janeiro/1934), escritor, cronista, folclorista,romancista, teatrólogo, crítico, político e professor , membro da Academia brasileira de Letras - fundador da cadeira de número 2, considerado o Príncipe dos prosadores brasileiros.
Maria Do Socorro Domingos
João Pessoa, 25/11/2018.

 
   
Comente o texto do autor. Para isso, faça seu login. Mais textos de MARIA DO SOCORRO DOMINGOS:
(O TRIGO (inspirado no apólogo - de mesmo título - De Coelho Neto) Autor(a):
A FLAUTA E O SABIÁ Autor(a):
ÊXTASE Autor(a):
MODINHA Autor(a):
O GEMIDO DA EMA (Homenagem ao centenário de Jackson do Pandeiro) Autor(a):
O PRETENCIOSO (CORDEL) Autor(a):
O QUE É O TEMPO? Autor(a):
O QUE É QUE O POETA TEM? Autor(a):