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O SENHOR DAS ABELHAS


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O SENHOR DAS ABELHAS

Roberto Schima

Seu Bernardo era um velhinho gentil.
Caracterizava-o os modos tímidos, de poucas palavras e, quando falava, sua voz era calma e educada. Uma estudante de Humanas dissera certa feita que ele possuía a "voz da primavera". Fosse tão somente um gracejo ou a sua maneira precoce de expor uma veia poética, ela tinha razão. Havia algo de desabrochar na maneira comedida do velhinho ao expressar-se e na fugacidade de um raro sorriso.
Ele descendia de espanhóis e, durante sua longa vida, fizera de tudo um pouco para se manter: sapateiro, operário, vendedor, balconista, mecânico, jornaleiro. Fosse pela timidez ou por suas precárias condições financeiras, nunca se casara. Era mais desses descendentes de imies que, na primeira metade do século, vieram tentar a sorte no Brasil para, no final, descobrir que a pobreza somente atravessara o Atlântico em seus calcanhares.



Senti um tapa no ombro.
- Vamos comer um sanduiche? - indagou um dos colegas.
Dei uma espreguiçada. As costas doíam. Olhei ao redor e vi um punhado de cabeças inclinadas sobre os livros.
- Prefiro pipoca - respondi.
- Troca um x-salada por pipoca? - retrucou, incrédulo. - Você está brincando!
Comer demais daria sono e, para isso, já bastavam as apostilas de Matemática.
- Vão vocês em frente encher a pança.
Eles riram.
- Seu panaca.



Sim, quando o conheci, ele já estava em idade avançada. Usava roupas sociais: camisa xadrez, calças largas e um chapéu de feltro que dava-lhe o ar de alguém de uma outra época, de um tempo mais cavalheiresco - o que não deixava, em absoluto, de sê-lo. Trabalhava como pipoqueiro nas dependências de um cursinho pré-vetibular na Liberdade. Com a autorização dos proprietários, postava-se no pátio, atendendo aos alunos durante os intervalos. Talvez pagasse alguma taxa por tal "privilégio", mas isso não vem ao caso agora. O fato era que, no interior do estabelecimento, podia exercer seu ofício de maneira mais segura em relação à violência que, já naquela época, assediava as portas das escolas. Então, o benefício era mútuo.
Eu era um entre os milhares de estudantes "aborrecentes".
Para ser sincero, eu estava mais preocupado com minhas apostilas e os exames do que em saber da vida daquele homem. Não me recordo ao certo quando comecei a comprar um saquinho de pipoca do Seu Bernardo para acompanhar o refrigerante adquirido na cantina; provavelmente, fora a partir do momento em que a minha estadia na escola aumentara quando, após as aulas, eu me enfiava numa sala junto ao pátio denominada "Sala de Estudo", onde os CDFs ficavam. Sim, eu confesso: tive minha fase CDF na vida. Nunca fui um expoente, jamais me detaquei em qualquer coisa, entretanto, naquela época, em função de prioridades na vida, esforçara-me nos estudos. E, nos poucos minutos de um intervalo que eu próprio me dava da Sala de Estudo, passara a puxar conversa com ele, mais para ter algo a fazer do que ficar lá parado, sem assunto, só mastigando.
- Um saco de pipoca, por favor.
- Doce ou salgado?
- Salgado. Doce não combina com o guaraná...
- É verdade.
E fora assim.



Adolescentes em geral e CDFs em particular não têm o costume de pensar em nada além do próprio umbigo. Inclusive, enquanto eu falava com ele, o egoísmo vinha em primeiro lugar. Eu procurava mais satisfazer uma necessidade minha de distração do que demonstrar algum sinal de maturidade juvenil ao importar-me com uma pessoa pela qual a sociedade, de um modo geral, tão pouca importância dava.
Não havia nada de profundo nessas poucas conversas, nenhuma divagação, tampouco alguma frivolidade sobre esportes ou o clima. Eu quase poderia dizer que mal passavam de monólogos de minha parte, pois, conforme já mencionei, o Seu Bernardo era um homem de poucas palavras, limitando-se a responder perguntas.
E uma das primeiras coisas que eu soube e da qual mais ninguém parecia interessar-se foi justamente o seu nome. Precisei indagar-lhe diretamente, pois, se dependesse de uma iniciativa sua, jamais o saberia. Deixou de ser "o velhote" ou "o pipoqueiro" para tornar-se o Seu Bernardo.



Conforme as semanas passaram, percebi que, mesmo sem ter fome, eu dispensava a companhia dos colegas e ia até o seu carrinho pedir um saco de pipocas. E, apesar de pouco falarmos, sentia-me bem diante de seus modos gentis, a humildade, os trajes antiquados, o olhar sereno - apesar de todas as agruras que, certamente, escreviam-se através das rugas em seu rosto. E, a considerar outros alunos ao seu redor, eu não era o único a sentir-me assim.
Futuros médicos, engenheiros e advogados desfilavam nas proximidades em poses mais ou menos soberbas naquela tormenta de hormônios de filhinhos-de-papai, a cabeça fervia de matérias escolares, predominava o anseio em demonstrar uma independência que ainda não existia.
Seu Bernardo, em seu mundo de limitadas perspectivas, guardava uma sabedoria, calma e compreensão forjadas pelo brio da vida. Era uma ilha de tranquilidade num buliçoso oceano de vaidades.



Um dia, percebi junto dele um desses copinhos de caipirinha que a cantina usava para servir café. Estava vazio, porém, ao fundo, uma abelha insistia em absorver as últimas gotas. Eu sempre estranhara essa predileção. Às vezes, o líquido escuro ainda fumegava na cafeteira e logo surgia uma ou outra abelha a rodeá-la perigosamente. Fantasiava sobre abelhas insones durante a noite, vasculhando em vão por néctar nas flores adormecidas.
- Abelha - apontei.
- Sim - confirmou o velho.
- O senhor não entendeu. Vai picá-lo, Seu Bernardo.
- Não vai - discordou gentilmente, ajeitando o chapéu de feltro. - Está só tomando café.
Franzi a testa, enfiando umas pipocas na boca.
- O senhor não vai espaventá-la?
Seus olhos denotaram surpresa, quase um choque diante de tal absurdo.
Senti-me um completo imbecil.
Todavia, aquele homem respondeu calma e pausadamente como se falasse a uma criança.
- Espero ela terminar para devolver o copo.
As rugas em minha testa devem ter se pronunciado, pois, excepcionalmente, ele acrescentou:
- As abelhas estão diminuindo por causa dos inseticidas e da falta das flores. Só estou ajudando...
Nesse verdadeiro discurso, tive um vislumbre mais íntimo daquele homem cuja altura mal ultrapassava os meus ombros.
Naquela época, a mortandade das abelhas e a destruição das colméias ainda não causavam alarde, pelo contrário, as pessoas viviam temerosas das abelhas africanas e, numa ignorância que sempre fora marca registrada da sociedade enquanto um todo, colocava-as todas em um mesmo saco.
"Acabem com elas!"
"Quem se importa se todas as abelhas sumirem do mapa?"
Havia pelo menos um alguém nesse mar de ninguém: o Seu Bernardo.



E eu - que lera pela primeira vez sobre as abelhas quando era criança, através de um dos volumes da Enciclopédia Conhecer, edição de 1969 - expusera todo o meu "vasto" saber ao comentar que o mel contido em uma única colher representava o labor de toda uma vida da abelha.
Seu Bernardo sorrira benevolente e passara a falar sobre a importância da polinização, sua admiração pela dedicação desses insetos à labuta, sua complexa sociedade, as várias espécies e o rigor matemático das colméias. Sem mencionar a maravilha dourada que era o mel, o qual, apesar de tão doce, não estragava. Pela primeira vez, o monólogo fora dele. Havia vida no brilho desgastado em seus olhos e um conhecimento que ia muito além dos grãos de milho.
Contou-me que, em seu pequeno jardim, fornecia pequenas quantidades de mel para esses insetos. "Devolver o que lhes fora roubado", era o que dizia. O mel já não era barato naquela época, embora não chegasse aos pés dos preços estratosféricos que atingiria anos depois. A princípio, as abelhas custaram a aparecer. Havia tão poucas nos arredores! Todavia, a partir do instante em que uma delas descobriu o gesto de generosidade, logo tornaram-se freguesas habituais. E o seu sorriso abriu-se ao contar isso! As próprias plantas de seu jardim beneficiaram-se, pois certas abelhas aproveitavam-se para procurar o néctar nas flores e, assim, polinizava-as. O jardim tornou-se mais viçoso; e as flores, mais bonitas. Era o seu pequeno mundo; as abelhas, suas "filhas".
Por mais "aborrecente" que eu fosse e por mais simplório que fosse tal relato, não deixei de apreender algo mais profundo naquilo, embora incapaz de traduzir os pensamentos em palavras. E não se tratava de um mérito meu, mas daquele senhor baixinho, de fala pausada.
Ainda meio sem jeito, Seu Bernardo mencionou o apelido que fora-lhe dado por uma das vizinhas: o "Senhor das Abelhas".
Por trás dos modos tímidos e fisionomia franca, havia um orgulho genuíno nesse título.



Certo dia, cheguei mais cedo ao cursinho. Havia comprado um vidro de mel e pretendia dá-lo ao Seu Bernardo. Porém, no pátio, não avistei seu carrinho. Dei de ombros, um tanto frustrado, e imaginei um contratempo qualquer. Durante o intervalo das aulas, ele também não apareceu e, após as aulas, já na Sala de Estudo, tampouco o vi. Fui perguntar na cantina, mas deram de ombros igualmente. Ninguém sabia.
Tornei a levar o vidro nos dias seguintes, mas ele não veio.
Somente na semana seguinte, eu soube, através de uma das senhoras que cuidava da limpeza da escola.
Àquela altura, eu supunha uma enfermidade ou algum problema de saúde decorrente da idade.
Contudo...
- Assalto. Invadiram a casa dele.
- Assalto? - falei, indignado.
Quem iria roubar um idoso que complementava a sua aposentadoria de fome com alguns trocados duramente ganhos como pipoqueiro? Mal sabia eu o quanto a incapacidade de um vigarista torna-lo-ia capaz de fazer. Os anos cuidariam de demonstrar, principalmente na política.
Vacilante, perguntei:
- E como ele está?
Ela balançou a cabeça negativa e pesarosamente, dando forma ao meu receio mais profundo.
Aquele que buscara a proteção do pátio da escola, receoso da violência, não encontrara segurança no conforto de sua própria residência.
Na verdade, não passávamos de estranhos um para o outro, a bem dizer, entretanto, lamentei muito por ele. Seus pais vieram de tão longe, além do oceano. Vidas inteiras de sacrifício para, no final, Seu Bernardo morrer nas mãos de um maldito vagabundo no bairro oriental da capital paulista.
- Não é justo - lamentei. Ah, sim, naquela época, eu era ingênuo e acreditava na justiça.
- Foi estranho - completou a mulher.
- Como assim.
Ela chamou-me mais para perto, como se estivesse prestes a confidenciar um segredo.
E cochichou:
- As abelhas...
- Eu sei. Ele gostava de abelhas. Eu até trouxera um pote de...
Ela não me deixou prosseguir.
- Não entende? As abelhas pegaram o ladrão.
Devo ter feito a expressão mais estúpida possível. Não consegui dizer nada na hora.
A senhora continuou:
- Seu Bernardo estava no quintal quando foi atacado. Imediatamente, as abelhas em seu jardim reagiram. Primeiro uma, depois duas, três, dez, cem. Todas rodearam e picaram o bandido. Ele, no desespero, disparou o revólver e a bala atingiu o Seu Bernardo.
- Que terrível!
Terrível e irônico.
- É verdade, mas o ladrão também teve um fim horroroso. Ouvi dizer que ele, depois do ataque, nem parecia mais ser gente: virou uma massa inchada e deformada, cheia de veneno.
Foi inevitável sentir uma dose de satisfação, o que não aliviou o sentimento de perda.
- Pena que a picada é o último recurso das abelhas. Depois que picam, o ferrão fica na pessoa, assim como uma parte de dentro delas. E elas morrem pouco tempo depois.
- Então, elas não pensaram duas vezes em dar suas vidas pelo Seu Bernardo.
- É o que parece - confirmei. - Tentaram salvar seu benfeitor.
Infelizmente, talvez tenham feito justamente o oposto e precipitado a morte do bom homem.
Foi encontrado no dia seguinte por aquela vizinha que o chamara de o Senhor das Abelhas. Mais de uma pessoa comentou ser o jardim de Seu Bernardo o mais bonito dos arredores. Aliás, somente a minoria das casas mantinha algum jardim, pois seus moradores ou os moradores antes deles haviam matado a terra, estrangulando-a sob um piso de concreto. Uma tendência que, infelizmente, seria reforçada nos anos seguintes.



O último milagre estava por vir.
Dessa vez, não me disseram.
Não.
Eu vi.
Outros também presenciaram.
Foi durante o enterro.
Não se soube de onde, mas, de repente, surgiu um enxame de abelhas. Milhares delas foram vistas seguindo o caixão. Formavam uma massa compacta. Seu zumbido preenchia o ar.
As pessoas inquietaram-se.
- Não farão mal! - gritou alguém, sem muita confiança. - Seu Bernardo andava no meio delas sem proteção alguma e nunca foi picado.
- É o Senhor das Abelhas - acrescentou outra pessoa.
- Mas eu não sou! - disse um rapaz amedrontado, afastando-se.
E o enxame seguiu o caixão até o túmulo e por lá pairou. Após o enterro, as abelhas ainda ficaram um bom tempo ali, e não foi por causa das flores que as pessoas deixaram. Aliás, Seu Bernardo desaprovava esse costume de arrancar as flores.
- Não é um gesto de amor. É um gesto de morte - dissera um dia.
- Morte?
- Sim. Mata a planta e tira o alimento das abelhas.
Então, no fim daquele dia no cemitério, o enxame dispersou e sumiu para sempre.
As abelhas nunca mais retornaram ao pequeno jardim do Seu Bernardo.
Sem os devidos cuidados, as plantas definharam.
Finalmente, uma herdeira distante - com certeza julgando-se uma pessoa muito prática, além de detestar a "sujeira" que as plantas faziam -, mandou acabar com tudo, substituindo o jardim por um piso azulejado de sua preferência. Não tardou a vender a casinha.
Não tardou para o nome de Seu Bernardo cair no esquecimento.
A cidade tinha tanta pressa quanto carecia de memória.
O velho pipoqueiro não passou de um episódio entre milhares de outros que o bairro da Liberdade deixou de registrar.
Ao menos desse trecho da história, eu não somente tomei conhecimento, mas tive uma ínfima participação.
Nenhum outro pipoqueiro substituiu-o no pátio do cursinho.
De ninguém mais eu percebi tamanho amor às abelhas.



Os anos se passaram.
Passei no vestibular. Formei-me biólogo, especializado em entomologia.
Entre os milhões de espécimes de insetos existentes no planeta, os insetos sociais - abelhas, formigas e cupins - estão entre os meus favoritos. E, entre estes, as abelhas ocupam um lugar de destaque.
Parte da "culpa" aconteceu naqueles dias, agora distantes, quando um estudante um tanto displicente aproximou-se de um idoso espanhol de gestos comedidos e voz de primavera, sem saber que, de alguma maneira, as palavras dele mudariam sua vida para sempre.
O velho pipoqueiro.
O gentil Seu Bernardo.
O Senhor das Abelhas.



NOTA DO AUTOR: No início dos anos 80, houve um Seu Bernardo no Curso Anglo-Latino da Rua Tamandaré, na Liberdade. Ele vendia pipocas no pátio inferior da escola. Era idoso. Era gentil. Não sei se cuidava de abelhas, mas, se o fizesse, eu não me surpreenderia. Tampouco me tornei biólogo. Mas eu gostava de trocar algumas poucas palavras com ele. E, quase quatro décadas depois, ainda me lembro.

Pequena biografia:
Roberto Schima.
Nasci na cidade de São Paulo em 01/02/1961, o que agora me parece muito distante. Passei a infância imerso nos anos 60, período de várias transformações. Tive a felicidade de sentir o clima de entusiasmo em relação a "Conquista do Espaço" que hoje não existe mais - não obstante a Guerra Fria. Escrevi "Como a Neve de Maio" ("Isaac Asimov Magazine" nº 12, Ed. Record), "Limbographia" (Amazon, Clube de Autores, agBook), "O Olhar de Hirosaki" (Clube de Autores, agBook), "Os Fantasmas de Vênus" (Amazon, Clube de Autores, agBook) etc. Participo da revista digital "Conexão Literatura", de Ademir Pascale, desde sua edição nº 37.
Informações: Google, Clube de Autores, agBook, Amazon ou nos links abaixo:
http://marcianoscomonocinema.blogspot.com/search/label/Roberto%20Schima.XF1gdVVKjIV
http://www.revistaconexaoliteratura.com.br/p/edicoes.html
http://www.efuturo.com.br/pagina_textos_autor.php?id=671
https://www.clubedeautores.com.br/authors/97551
Contato: rschima@bol.com.br

 
   
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