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Gran desertão: nichos


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Os pensadores – Platão está entre Ave, palavra, do Guimarães Rosa e Memórias Póstumas de Brás Cubas, do Machado de Assis. O breviário da decomposição, do Cioran, está entre Variedades do Valéry e Com o diabo no corpo, do Radiguet. Indo nesse tom e por esse caminho chego à conclusão de que nicho é o ninho das águias. Quem encontra o seu nicho é bem visto mesmo que ele esteja no alto do penhasco e debruçado sobre o mar revolto. Alguém empunhará o binóculo e acompanhará o nascimento dos filhotes, os cuidados da mãe e o primeiro voo deles. Poderá até fazer um documentário para o canal de televisão especializado em animais. Olho de novo e vejo que A arte de amar, do Erich m, está entre o Delírio dos búzios, do Alexandre Marino, e Descrição de uma luta, do Franz Kafka. E vai me dando um desânimo de não ter nicho, de ver que o clima está mudando para outono, de ver que o céu já acusa o azul que induz a fazer coisas.
Mas, é engraçado, enquanto estou aqui escrevendo parece que tudo funciona. É só descer e ver todo mundo se agitando na rua, com tantos interesses dissonantes, que já me bate o desânimo. Vejo que as pessoas estão colocando uma coisa entre outras duas, igual faço com os livros. Só que as coisas das pessoas são outras. Imagino que coloquem a viagem para a Europa entre uma ida ao supermercado e um programa de televisão. Não há conexão possível. Sou marginal e queria estar dentro do rio, na terceira margem.
É igual jogar sinuca com a cabeça noutro lugar. Você olha as bolas, a mesa, a luz, o taco, o giz, a luva. E tudo parece distante. Sem função. Estou aqui, mas queria estar noutro lugar. Se estivesse lá, quereria estar aqui. Porque nada parece merecer atenção e concentração. Dá um branco total radiante na cabeça e, mesmo diante da feitura de um poema, da descoberta de um livro legal, não se tem ação. Fica o dito pelo não lido, o sem resposta pelo não perguntado. Fica tudo muito vago entre o nascimento do filho da Angélica e do Hulk, o julgamento do Michael Jackson e a morte do líder separatista checheno em ação militar. Nichos.

Rui Werneck de Capistrano, escrevendo adoidado pra não endoidar (Clube de Autores)

 
   
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