Efuturo: MULHERES, MUSAS? QUEM SÃO?

MULHERES, MUSAS? QUEM SÃO?

Um time inspirador de poetas e compositores provocam a beleza do viver através das palavras que, supostamente, retratam o auge de uma época de expectativas ao escreverem sobre mulheres. Entre tantos, destaco Chico Buarque, com Carolina; Tom Jobim, com Luíza; Dorival Caymmi, com Marina; Cauby Peixoto, em Conceição; Ronaldo Monteiro de Souza e Ivan Lins, com Madalena; Mário Lago e Ataulfo Alves, com Amélia.
Fascinados pelas mulheres, se envolvem no enredo para representar o tempo, na influência dos símbolos como inspiração e na releitura da história que não se limita em misturar, mas, que se une ao nosso viver.
O curioso é saber quem elas representavam Que significado tiveram na vida de cada compositor, escritor e poeta?
A canção Carolina foi classificada em 3º lugar no II Festival Internacional da Canção Popular, 1967: “Carolina // Nos seus olhos fundos / guarda tanta dor / A dor de todo este mundo //... Lá fora, amor / uma rosa morreu / uma festa acabou / Nosso barco partiu...”. Diz Humberto Werneck que a canção nasceu a partir da proposta conciliatória feita por Walter Clark, em nome da Rede Globo de Televisão de que a emissora dispensaria a multa contratual em troca da inscrição de uma canção do Chico no FIC (1967) e daria, assim, por encerrado o processo judicial. Chico aceitou a proposta e compôs a canção Carolina durante um voo. Interpretada por Cynara e Cybele, do Quarteto em Cy, Carolina perdeu para Margarida, de Gutemberg Guarabyra e Travessia, de Milton Nascimento.
Luiza é a canção de Tom Jobim, feita para a abertura da novela “Brilhante”, da Rede Globo, nos anos 1981 e 1982. A musa inspiradora da canção foi Vera Fisher, que era a protagonista da novela com o mesmo nome. “... Vem cá Luiza / Me dá sua mão / o teu desejo é sempre o meu desejo //... E um raio de sol / Nos teus cabelos / como um brilhante que partindo a luz / explode em sete cores / revelando então os sete mil amores...”
A Rádio Rio Verde FM conta que a morena Marina nunca existiu; que a letra foi composta de trás para frente. Numa tarde, Dorival Caymmi estava indo para a rádio e, por qualquer motivo, um dos seus filhos estava bravo com ele. O compositor mesmo assim seguiu para a rádio, quando o menino disparou: “Estou de mal”. A frase com a cara aborrecida do filho ficou na sua cabeça. No caminho da emissora, Dorival não pensava em outra coisa. É ele mesmo quem narra: “Na rua, essa frase ficou martelando na minha cabeça: “Estou de mal, estou de mal, estou de mal”... “Marina, morena / Marina você se pintou... / Mas faça um favor / Não pinte esse rosto que eu gosto / ... Me aborreci, me zanguei / Já não posso falar / E quando eu me zango, Marina / não sei perdoar...” Ao fim do dia, o clássico estava pronto e termina com uma sentença fascinante: Desculpa, Marina morena, mas eu tô de mal”.
A letra de Madalena foi composta por Ronaldo Monteiro de Souza em parceria com Ivan Lins. Retrata a dor de um término de namoro. de quem para se consolar foi a um bar de Copacabana; lá, olhando o mar, surgiu a frase que daria início à música: “o mar é uma gota, comparado ao pranto meu.” O resto da letra foi escrito num guardanapo, ali mesmo. A musa Vera Regina, só ficou sabendo da homenagem tempos depois. Mas, por que o nome Madalena? Diz Ronaldo que não queria usar o nome de Vera Regina e que Madalena foi o primeiro nome que lhe ocorreu. Foi sucesso e se consagrou na voz de Elis Regina: “... Oh! Madalena / O que é meu não se divide / Nem tão pouco se admite / Quem do nosso amor duvide...”
Há passagens na vida que apenas notamos quando estamos sozinhos, como prestar atenção nas letras das músicas e passar a considerá-las como diferenças em nossos dias, pois nos devolvem há outros tempos, valores e gostos. A mulher é elemento que se revela na beleza da inspiração e criação, ao ser demonstrada a individualidade de cada uma dessas musas. Como Amélia (1941), letra de Mário Lago e música de Ataulfo Alves. “Qual nada, Amélia é que era mulher de verdade. Lavava, passava, cozinhava...” Logo, Lago fez o samba que começou com “Ai que saudades da Amélia.” Segundo Severiano e Zuza Homem de Mello, “a canção nasceu de uma brincadeira de Almeidinha, que sempre que falavam em mulher costumava brincar.”
Dizem que Amélia existiu e, possivelmente, ainda vivia à época da canção. Era uma antiga lavadeira que serviu à família do Almeidinha. Em 1956, Cauby Peixoto lançou nas rádios a sua interpretação de Conceição que é sucesso até hoje: “Conceição / Eu me lembro muito bem / vivia no morro a sonhar / com coisas que o morro não tem...”
Verdade seja dita, quem melhor do que esse time para retratar as mulheres como inspiração poético-musical? Afirmo por considerá-los marcantes e por terem concretizado no papel, passo a passo, verdades sobre suas conquistas, na imagem da mulher com a força das palavras.
Tais obras de arte ao esboçarem suas escolhas, são lançadas na eternidade por refletirem o nosso olhar para com elas, onde ganham vida por serem retratadas nas artes além de suas épocas, na tentativa da construção de um mundo que, mesmo não sendo perfeito, traz a valorização da realidade da mulher. Como “embriaguez” imaginativa: o lugar, o momento, a musa e o êxtase pela criação, onde encontramos a luz e ao louvarmos a mulher em cada canção,que, com certeza, de uma forma ou de outra, marcam as nossas vidas.