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A VELHA MULHER E O POÇO DE ESTRELAS - Trecho

A VELHA MULHER E O POÇO DE ESTRELAS (Trecho)

Roberto Schima

Um vento morno de fim de verão e prenúncio de outono soprava baixo e úmido, arrastando névoas de poeira, folhas ressequidas e puídos fragmentos de papel. Dentro de algumas semanas, o musgo tornaria a crescer sobre as rochas. Inúmeras árvores seriam despidas, transformadas em garras encarquilhadas apontadas para o céu, porém, e por ora, ainda estavam fartamente cobertas pela folhagem e esta balançava para um lado e para o outro.
O outono fazia as pessoas melancólicas. Talvez fosse por causa do vento vindo de muito longe a sussurrar antigas lembranças; ou, então, o cinzento do céu que parecia nunca haver conhecido a alegria das cores. Quem sabe se as visões de folhas amarelecendo, secando e caindo não as fizesse pensar na rapidez da passagem dos anos, de suas próprias vidas. Fosse o que fosse, as memórias das estações de outrora bem poderiam ser arrebanhadas e carregadas para longe, para uma terra onde as tristezas não existiriam porque a mágoa não fincaria suas raízes; e a dor não fustigaria, pois ela necessitaria de tempo para operar, e, nessa terra utópica sem sentimentos ruins, o tempo não passaria nunca, como ocorria para aquelas personagens de desenho animado que jamais envelheciam. Seria um eterno hoje e sempre.
Mas a vida não era assim, não era um livro com páginas em branco, nem um livro de páginas coladas, e muito menos um livro sem páginas. Havia a escrita minuciosa e bela, a calma pena a registrar fatos memoráveis ou corriqueiros, às vezes borrada, porém, ainda legível. E havia os garranchos, rabiscos e rascunhos de coisas que não deveriam ser vistas, lidas ou recordadas, porém, estavam lá, quer o livro estivesse aberto ou não. E ainda que a totalidade não estivesse fresca na lembrança, o essencial, o fundamental, o cerne, este, malgrado, permanecia e permaneceria.



Ela refletiu sobre tudo isso, senão exatamente com essas palavras, com o mesmo sentimento, aquele aperto no coração.
E as memórias significavam tanto! Enchiam sua alma. Eram como uma estrada em ruínas, com várias ramificações, distanciando-se mais e mais. Davam sentido a sua existência, todavia, também traziam um grande soturno vazio. Era estranho, contudo era assim que funcionava.
Arbustos próximos se agitaram. Aos poucos, o mormaço de fim de tarde cedeu lugar ao frescor do crepúsculo. Para o oeste, o céu tingiu-se de vermelho. Insetos noturnos começaram a se manifestar.
Não fosse pelo ruído da folhagem, o cricrilar dos grilos e o coaxar hesitante de algumas rãs, o silêncio seria completo. Dos cães que antigamente havia, somente um restara, Faísca. Velho e magricela, de um branco sujo com grandes manchas pretas, dormitava sob uma árvores, balouçando as orelhas de vez em quando por causa das moscas. Às vezes, soltava uns grunhidos, sonhando. As cabras e galinhas tinham ido embora fazia semanas, vendidas para o dono de um sítio vizinho; seus vestígios, todavia, podiam ser observados no interior de um cercado, dentro de um barracão, nos arredores de um modo geral. Entretanto, o vento, assim como o tempo, encarregar-se-ia de levá-los, virando mais essa página, nessa borrada e antiquada caligrafia.

( R. Schima)

NOTA DO AUTOR:
Para maiores informações, inserir meu nome no Google ou acessar:
https://www.clubedeautores.com.br/book/152240LIMBOGRAPHIA
http://marcianoscomonocinema.blogspot.com/search/label/Roberto%20Schima
 
   
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